Nem Yellow Kid, nem Rodolphe Töpffer: A verdadeira precursora das histórias em quadrinhos foi…? A civilização maia!

 

Imagine pegar um jarro em cuja pintura você poderia ler uma história em imagens conforme o girasse. Entre os séculos VI e IX antes de Cristo, um maia que fizesse isso estaria apreciando uma “proto-HQ” (na falta de nome melhor). Eram considerados utensílios tão valiosos que, com frequência, trocavam-se alguns para facilitar negociações políticas e criar alianças entre nações.  Segundo Soeren Wichmann, da Universidade Leiden, na Holanda, “Tratava-se de arte da mais alta qualidade naquela época. Hoje em dia, há pessoas que torcem o nariz diante de uma revista em quadrinhos”.

Wichmann escreveu pela primeira vez sobre essa arte sequencial num ensaio denominado America’s First Comics (Os Primeiros Quadrinhos dos Estados Unidos), atualizado agora como um capítulo de um livro intitulado The Visual Narrative Reader (O Leitor da Narrativa Visual). O estudioso salienta que, diferentemente dos quadrinhos modernos, a maioria das “novelas gráficas maias” descreve algumas poucas cenas de histórias conhecidas – ou seja, os leitores já estavam familiarizados com a sequência toda.

Sem dúvida, pode-ser enxergar um tipo de narrativa visual em pinturas pré-históricas de cavernas; Wichmann, porém, acredita que as cenas dos jarros maias têm uma impressionante semelhança com as HQs da atualidade – inclusive a forma como representam a fala, o movimento, odores ruins, animais engraçados e piadas maldosas. “Temos a reunião de todos esses mecanismos – estamos perto de algo bastante assemelhado aos quadrinhos.”

Esses estranhos paralelos talvez nos surpreendam. O editor de Visual Narrative Reader, Neil Cohn, da Universidade da Califórnia, San Diego, lembra que a comunicação por meio de narrativas visuais pode ser tão comum quanto falar ou gesticular com as mãos; devemos, de fato, encará-las como outras formas de linguagem. Assim como a comunicação pela fala ou por sinais, Cohn acredita que cada linguagem visual tenha seu vocabulário e gramática próprios.

Em todo o mundo isso pode ser visto: tanto nos quadrinhos americanos quanto nos mangás, ele descobriu regras distintas para o desenvolvimento de histórias, ao passo que os Arrernte, aborígenes australianos, apresentam uma série de signos complexos desenhados na areia enquanto são contadas histórias orais. Estas também obedecem a uma “gramática” distinta. Cohn acredita que, embora os desenhos dos jarros maias se pareçam com HQs modernas, eles também seguem suas próprias regras.

Ainda assim, algumas semelhanças chamaram-lhe a atenção; metáforas visuais, como o fogo, ainda são utilizadas para expressar uma emoção, embora estejamos falando de uma cultura de séculos atrás. “O fato de a raiva estar associada ao fogo nas narrativas maias, assim como na nossa fala e nossos desenhos, mostra como criamos essas formas de ideias abstratas.”

Distantes tempos em que uma narrativa sequencial tinha o merecido tratamento: o de uma obra de arte.

Fonte: http://www.bbc.com/future/story/20160216-did-the-maya-create-the-first-comics

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