Dois personagens de volta em dose dupla!

Quem não conhece Spirou e Fantásio, a dupla de aventureiros das HQs criada por Rob Vel?

No Brasil, muita gente. Inclusive, talvez, você.

Nascido em 1938  (o mesmo ano do Superman), Spirou, um garoto ruivo, com trajes de mensageiro de hotel, foi “encomendado”como símbolo do jornal de idêntico nome. Tem por mascote o esquilo Spip, esperto e um pouco mal-humorado. Seu amigo Fantásio, alto, magro e desengonçado, apareceu em 1944, criação de Jijé, outro quadrinista colaborador do jornal.

Spirou e Fantásio só começaram a ter todo seu potencial explorado depois da Segunda Guerra. Em 1946, o desenhista e roteirista Franquin assumiu a série com sua equipe. As histórias simples e cotidianas deram lugar a aventuras e viagens pelo mundo, no melhor estilo do também belga Tintim.

Durante 22 anos e mais de 15 álbuns, Franquin trabalhou exclusivamente com a dupla, até passar o bastão a Jijé. Por mais cinco décadas, outros artistas escreveram e desenharam as histórias desses populares personagens.

 

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A evolução de Spirou pelo traço de todos os quadrinistas que o desenharam

 

No Brasil, Spirou e Fantásio foram publicados pela primeira vez nos anos 1970, pela editora Vecchi. Estranhamente, Spirou foi rebatizado de Xará.

Quase 20 anos depois, no final da década de 1980, a dupla foi editada pela Meribérica/Liber. Com sede em Portugal, a Meribérica lançava seus quadrinhos e trazia-os para o Brasil. Assim foi até o início do século XXI, quando viu-se obrigada a fechar as portas. Em 1995, a brasileira Manole lançou um único álbum de Spirou e Fantásio, em capa dura. A série continuou a ser publicada de forma esporádica, em língua portuguesa, pela lusitana ASA.

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Depois de outro hiato de 20 anos, em 2016 a Sesi-SP Editora aposta no sucesso dos heróis, desta vez lançando seus álbuns em ordem cronológica. Uma nova geração de leitores brasileiros terá o prazer de conhecer Spirou e Fantásio.  Os dois primeiros lançamentos são Quatro Histórias de Spirou & Fantásio e Um Feiticeiro em Champignac.

Aos acostumados com quadrinhos estrelados por personagens uniformizados e cheios de poderes, algumas diferenças se destacam rapidamente: o traço, mais caricato, com personagens narigudos, de anatomia menos realista – o chamado Estilo Atômico ou Escola de Marcinelle. Quem conhece outros sucessos vindos da Europa, como Asterix e Lucky Luke, já está familiarizado com isso.

Outro ponto de destaque fica no tom das histórias: não há nada de sombrio e percebe-se um humor às vezes ingênuo. Nada que tenha envelhecido com o passar do tempo.

Três coisas apenas mereciam mais cuidado nas edições da Sesi-SP: uma fonte mais adequada para os balões (a letra H é tão inclinada que parece itálico); o personagem Fantásio foi erroneamente rebatizado de Fantasio (sem acento); e a ausência de um texto apresentando a série aos novos leitores. Os álbuns têm páginas em branco nas quais poderia, muito bem, figurar uma breve introdução.

No geral, parabéns para a Sesi-SP e sua decisão de editar uma série tão famosa e duradoura na Europa, trazendo uma mudança saudável ao tão uniformizado cenário atual de publicações (nos dois sentidos).

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